terça-feira, 10 de Novembro de 2009
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
O Mérito
Penso que existem factores intrínsecos e extrínsecos que conduzem a um bom desempenho escolar. Dos primeiros, ressalvo a capacidade intelectual, a atitude, a curiosidade e a imaginação, a apetência pelo saber, as capacidades de trabalho, de organização e de concentração, etc... Dos segundos, o ambiente escolar, os professores e factores económicos e sociais que se revelam através de detalhes, mas que podem ter grande influência no aluno, como o ambiente ou disfunção familiares, se possui um espaço próprio para trabalhar com privacidade, se não é sobrecarregado com tarefas de apoio à família, se possui uma biblioteca própria, se usufrui de bens culturais, se frequenta ou não uma escola com graves problemas de indisciplina por estar situada num meio desfavorecido, se contacta habitualmente com marginais como acontece em alguns bairros de risco, se a suas capacidades foram estimuladas desde pequeno, e um sem número de outros factores, que podem ter influência nos factores intrínsecos.
A valorização do mérito deve ser a base de um sistema educativo, sob pena de estarmos a elaborar numa fraude. Por outro lado, é conhecido o facto de Portugal ser o país da UE com maiores desigualdades sociais, como é referido aqui, que diferenciam os que podem, à partida, ter melhor ou pior aproveitamento escolar, através dos factores extrínsecos. A solução que foi encontrada nos últimos anos é típica de uma má consciência e tem sido a de elevar artificialmente os resultados das avaliações dos alunos mais desfavorecidos, seja através da diminuição do grau de exigência, seja através de artifícios legais que permitem, em certas circunstâncias, a passagem de ano com excesso de negativas, seja ainda através do aumento dos níveis finais de disciplina, caso a caso, em reuniões de Conselhos de Turma. Em suma, por um lado, temos tido um modelo de desenvolvimento que cria enormes disparidades económicas e sociais com reflexo no sistema de ensino e, por outro, tentam-se apagar as consequências com medidas de fachada, que apenas agravam o problema. É uma espécie de roda quadrada, que não está a conduzir o país a lado algum.
Claro que há excelentes alunos no nosso sistema de ensino, basta ver aqueles que, todos os anos, entram nos cursos de medicina. Mas seria interessante fazer um estudo sociológico sobre as origens e os recursos desses alunos, para concluir até que ponto existe igualdade de oportunidades para os nossos jovens.
Urge, por isso, actuar nos factores extrínsecos, diminuindo o fosso que separa os que mais têm dos que menos têm, mudando o modelo desenvolvimento, de modo que a cada um caiba de acordo com o seu mérito intrínseco.
revisto às 16h45
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
terça-feira, 29 de Setembro de 2009
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
As Eleições
O discurso radical de direita, personificado por Paulo Portas, foi bem recebido por um sector desencantado com o desnorte no PSD, ávido de mostrar um cartão vermelho ao PS e receptivo ao "vão trabalhar malandros" na contestação ao Rendimento Social de Inserção, à ideia já antiga que se combate o crime aumentando o músculo, à contestação oportuna a Maria de Lurdes Rodrigues e a um estilo comunicativo, simpático e arejado do líder.
No outro extremo, a manta de retalhos ideológica que é o BE conseguiu capitalizar bem o descontentamento provocado pela política do governo, nomeadamente na contestação às negociatas para os amigos, ao código laboral, à política educativa, à protecção aos grandes grupos económicos, com uma linguagem radical a sugerir ajustes de contas que encontrou eco em muitos que se sentiram oprimidos e vilipendiados por José Sócrates e os seus ministros. Acresce que a qualidade intelectual dos seus dirigentes, que se revela no discurso elaborado e corrente, atrai muitos dos simpatizantes de esquerda com um maior nível cultural.
A CDU mantém um discurso algo tímido e generalista, que não é tão "fashion" e vende menos, acabando por pagar o preço ao ser relegada para o último lugar na tabela dos partidos parlamentares, apesar de aumentar a votação e ganhar um deputado.
Quanto ao PS, nada a dizer para além do óbvio: sofre um revés provocado pela sua política destes quatro anos, sendo agora obrigado a negociar. Iremos ver como e com quem.
quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
terça-feira, 22 de Setembro de 2009
terça-feira, 8 de Setembro de 2009
segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
quinta-feira, 30 de Julho de 2009
segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Par Electrão/Positrão
Créditos: LAWRENCE BERKELEY NATIONAL LABORATORY/ SCIENCE PHOTO LIBRARYDois fotões entram no topo da câmara, produzindo dois pares electrão/positrão. O primeiro fotão arranca também um electrão de um átomo do gás, que desce para a esquerda. O segundo fotão transfere quase toda a sua energia para o par electrão/positrão, o que faz com que estes curvem menos no campo magnético do detector. De notar que a câmara de bolhas (detector) só é sensível a partículas carregadas, pelo que os fotões são invisíveis.
sábado, 25 de Julho de 2009
Sobre a avaliação na Função Pública
quarta-feira, 22 de Julho de 2009
A manutenção do poder
Como quebrar este ciclo… É algo que não se adivinha fácil nem para breve, com as personagens políticas que temos nos partidos do poder e a dificuldade aparente das alternativas em o exercerem. Só uma maior cultura em geral, e democrática em particular, do povo português se poderia traduzir num maior espírito crítico e numa maior exigência face aos políticos que nos governam. Mas isso é uma tarefa de gerações, dado o ponto de partida e não parece que o poder político actual esteja empenhado nessa mudança.
De facto, acho mesmo que as políticas educativas que têm sido implementadas nestes últimos anos não têm o sentido de melhorar genericamente o nível cultural do nosso povo, mas seguem uma lógica de manutenção de poder, diminuindo a intervenção democrática dos actores educativos e alimentando o compadrio e o seguidismo. Perante a capa da meritocracia, incentivam a competição e o individualismo onde antes existia colaboração e solidariedade (como sublinhou Lídia Jorge), com as inevitáveis consequências no avanço da mediocridade. Promovem os aspectos formais e burocráticos em vez de premearem a autenticidade, com a subsequente teia de cumplicidades. Seguem uma lógica de resultados aparentes, sem ter em conta ao que correspondem na substância, criando a ilusão de progressos mas sem que mude, de facto, o status quo.
Tudo isto ocorre com o beneplácito de alguma comunicação social, ela própria sob a alçada do poder económico, quiçá com interesses inconfessáveis.
Mas a realidade, por vezes, surpreende-nos e não é de descartar a possibilidade de, perante este panorama fatalista e aparentemente irreversível, existir uma solução ao virar da esquina. Talvez essa esquina seja 27 de Setembro próximo.
terça-feira, 7 de Julho de 2009
sábado, 4 de Julho de 2009
sexta-feira, 3 de Julho de 2009
sábado, 27 de Junho de 2009
segunda-feira, 22 de Junho de 2009
domingo, 21 de Junho de 2009
Fonte Nova
sábado, 6 de Junho de 2009
domingo, 31 de Maio de 2009
quarta-feira, 20 de Maio de 2009
A Professora de Espinho
São tempos em que todos, ou quase, vigiam todos. Tempos em que os fins justificam os meios e em que o risco de exposição mediática se está a transformar num autentico mecanismo de auto censura totalitário. É o pesadelo de "1984", de George Orwell, que se adivinha próximo.
Do meu ponto de vista, o assunto teria que ser resolvido na escola. Com a professora, os alunos, os encarregados de educação, os colegas, eventualmente a Inspecção Geral de Educação e, se existisse matéria para procedimento disciplinar, que se actuasse. Não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, os alunos fizeram justiça pelas suas próprias mãos, o que mostra até que ponto a escola lhes está entregue.
terça-feira, 19 de Maio de 2009
Jardim Botânico - I
domingo, 10 de Maio de 2009
domingo, 26 de Abril de 2009
sábado, 25 de Abril de 2009
Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se deságua no Rossio.
Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.
Sou a gaivota
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.
O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!
Tirado daqui
domingo, 19 de Abril de 2009
quinta-feira, 16 de Abril de 2009
O Ensino da Matemática
Mas esta abstracção formal não surge do nada. São inúmeros os exemplos da interacção entre a Física e a Matemática, como a génese do cálculo diferencial e integral, ligado aos estudos da cinemática e da dinâmica iniciados por Galileu e aprofundados por Newton e Leibniz, ou a teoria dos operadores em espaços de Hilbert, sistematizada por Von Neumann com a Mecânica Quântica em vista, ou ainda a teoria das distribuições, cuja existência foi sugerida em primeiro lugar por Heaviside nos circuitos eléctricos e Dirac também na formalização da Mecânica Quântica. Para dar um exemplo mais extremo, temos o próprio conceito de número, que muito provavelmente terá nascido para contar as ovelhas dos pastores do Neolítico e hoje possui uma disciplina inteiramente dedicada ao seu estudo. Só mais tarde, depois da génese destas ideias inspirada no mundo natural, se partiu para uma formalização totalmente abstracta destes conceitos, que hoje têm vida própria.
Do meu ponto de vista, o mesmo se passa no ensino da Matemática. Para iniciar os alunos em conceitos como os números inteiros, de fracção, de múltiplo, mínimo múltiplo comum, número real, número complexo, potência, logaritmo, derivada... há que começar pelo mundo concreto, que foi onde inicialmente surgiram. Houve uma razão histórica, uma necessidade, que levou alguém, ou várias pessoas em simultâneo, a descobrir essas noções e a obter resultados a partir delas.
Depois do "ahhh!" da motivação, segue-se o treino, os automatismos, de modo que, ao prazer da descoberta, se siga a vantagem da mestria na utilização. Posteriormente, sem que termine a fase do treino, há a fase da formalização abstracta, com a ausência de protecção do suporte concreto, de maneira a que os alunos se sintam confortáveis em trabalhar com noções sem um contexto específico.
Esta relação entre a descoberta científica e a descoberta que resulta da aprendizagem é essencial. Um professor deve estar sempre consciente das dificuldades que se colocam a quem se propõe aprender algo novo. Todos nós fomos alunos e passamos por essa experiência, mas é algo que se esquece, se não for vivido permanentemente. Assumimos facilmente o novo papel arrogante de detentores da verdade e do conhecimento, esquecendo o quão difícil é, por vezes, assimilar novas ideias e noções, principalmente quando nunca se foi confrontado com a necessidade da sua existência.
É por isso que penso que haveria toda a vantagem se os professores do ensino básico e secundário estivessem mais envolvidos na investigação sobre as suas áreas curriculares. Pelas razões que apontei e também porque isso obrigaria a uma actualização científica permanente.
terça-feira, 14 de Abril de 2009
A reforma de 1994 dos Currículos de CFQ
A questão do ensino da electrónica em CFQ, no 8º ano do básico, revela bem o desacerto habitual do ME com a realidade nas escolas. Sendo eu formado em Física e tendo alguns conhecimentos em circuitos electrónicos, não me foi difícil adaptar à reforma curricular de então, no que diz respeito aos conteúdos teóricos. O mesmo não se pode dizer dos colegas formados em Química, a maioria dos Profs de CFQ do 3º ciclo. Passou-se algo semelhante com a introdução da Astronomia nos currículos. No reverso, estava a componente laboratorial de Química, tendo eu procurado inúmeras vezes acções de formação na área, sem sucesso. O problema é que a reforma não foi acompanhada de formação massiva para actualização científica dos docentes.
Por outro lado, as escolas não possuiam os componentes electrónicos necessários para a realização dos tais circuitos previstos no programa, como os alarmes ou termostatos, nem foram previstas verbas para os adquirir, o que inviabilizava logo à partida a componente prática exigida, fundamental para o sucesso da aprendizagem e para o cumprimento das directrizes programáticas.
Em suma, fez-se uma reforma no papel, burocrática, ignorando-se as condições no terreno, como se algo se tornasse real só por estar escrito num decreto.

























