quarta-feira, 20 de maio de 2009

Jardim Botânico - II

A Professora de Espinho

A famosa gravação de Espinho, em que uma professora se dirige aos alunos de um modo grosseiro e perverso, demonstra bem os novos tempos em que vivemos. Tempos em que todos corremos o risco de, por uma falha mais ou menos grave, sermos sujeitos à exposição pública, à crítica e mesmo à chacota geral. E, quando digo "geral", não me refiro aos colegas de trabalho, ou ao círculo de amigos e conhecidos mais próximos, mas sim a todo um país e além, sem que possamos fazer absolutamente nada para nos defendermos, direito à defesa esse que, por princípios morais e éticos, é, teoricamente, próprio de qualquer um.
São tempos em que todos, ou quase, vigiam todos. Tempos em que os fins justificam os meios e em que o risco de exposição mediática se está a transformar num autentico mecanismo de auto censura totalitário. É o pesadelo de "1984", de George Orwell, que se adivinha próximo.
Do meu ponto de vista, o assunto teria que ser resolvido na escola. Com a professora, os alunos, os encarregados de educação, os colegas, eventualmente a Inspecção Geral de Educação e, se existisse matéria para procedimento disciplinar, que se actuasse. Não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, os alunos fizeram justiça pelas suas próprias mãos, o que mostra até que ponto a escola lhes está entregue.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Jardim Botânico - I

Possuo uma lente zoom 70-300 mm, que permite fazer macro, mas raramente a uso nessa opção. Inspirado nos "Bons dias" de Paulo Guinote, decidi romper a tradição e dar um salto até ao Jardim Botânico, em Lisboa. Aqui fica o resultado, que irei publicando.

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril

Desfile do 25 de Abril de 2009
Um homem na cidade

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.

Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se deságua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.

Sou a gaivota
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.

O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!

Ary dos Santos

Tirado daqui

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O Ensino da Matemática

As aplicações da Matemática são infindáveis. Tal deve-se ao facto de ser uma ciência abstracta, onde as definições, proposições, lemas, teoremas... não possuem um contexto explícito, e, por isso, encaixam nos mais variados domínios, apesar do conhecimento matemático ser tão real como qualquer outro.
Mas esta abstracção formal não surge do nada. São inúmeros os exemplos da interacção entre a Física e a Matemática, como a génese do cálculo diferencial e integral, ligado aos estudos da cinemática e da dinâmica iniciados por Galileu e aprofundados por Newton e Leibniz, ou a teoria dos operadores em espaços de Hilbert, sistematizada por Von Neumann com a Mecânica Quântica em vista, ou ainda a teoria das distribuições, cuja existência foi sugerida em primeiro lugar por Heaviside nos circuitos eléctricos e Dirac também na formalização da Mecânica Quântica. Para dar um exemplo mais extremo, temos o próprio conceito de número, que muito provavelmente terá nascido para contar as ovelhas dos pastores do Neolítico e hoje possui uma disciplina inteiramente dedicada ao seu estudo. Só mais tarde, depois da génese destas ideias inspirada no mundo natural, se partiu para uma formalização totalmente abstracta destes conceitos, que hoje têm vida própria.
Do meu ponto de vista, o mesmo se passa no ensino da Matemática. Para iniciar os alunos em conceitos como os números inteiros, de fracção, de múltiplo, mínimo múltiplo comum, número real, número complexo, potência, logaritmo, derivada... há que começar pelo mundo concreto, que foi onde inicialmente surgiram. Houve uma razão histórica, uma necessidade, que levou alguém, ou várias pessoas em simultâneo, a descobrir essas noções e a obter resultados a partir delas.
Depois do "ahhh!" da motivação, segue-se o treino, os automatismos, de modo que, ao prazer da descoberta, se siga a vantagem da mestria na utilização. Posteriormente, sem que termine a fase do treino, há a fase da formalização abstracta, com a ausência de protecção do suporte concreto, de maneira a que os alunos se sintam confortáveis em trabalhar com noções sem um contexto específico.
Esta relação entre a descoberta científica e a descoberta que resulta da aprendizagem é essencial. Um professor deve estar sempre consciente das dificuldades que se colocam a quem se propõe aprender algo novo. Todos nós fomos alunos e passamos por essa experiência, mas é algo que se esquece, se não for vivido permanentemente. Assumimos facilmente o novo papel arrogante de detentores da verdade e do conhecimento, esquecendo o quão difícil é, por vezes, assimilar novas ideias e noções, principalmente quando nunca se foi confrontado com a necessidade da sua existência.
É por isso que penso que haveria toda a vantagem se os professores do ensino básico e secundário estivessem mais envolvidos na investigação sobre as suas áreas curriculares. Pelas razões que apontei e também porque isso obrigaria a uma actualização científica permanente.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A reforma de 1994 dos Currículos de CFQ

Aqui fica um comentário que deixei neste "post" do blogue "A Educação do Meu Umbigo"

A questão do ensino da electrónica em CFQ, no 8º ano do básico, revela bem o desacerto habitual do ME com a realidade nas escolas. Sendo eu formado em Física e tendo alguns conhecimentos em circuitos electrónicos, não me foi difícil adaptar à reforma curricular de então, no que diz respeito aos conteúdos teóricos. O mesmo não se pode dizer dos colegas formados em Química, a maioria dos Profs de CFQ do 3º ciclo. Passou-se algo semelhante com a introdução da Astronomia nos currículos. No reverso, estava a componente laboratorial de Química, tendo eu procurado inúmeras vezes acções de formação na área, sem sucesso. O problema é que a reforma não foi acompanhada de formação massiva para actualização científica dos docentes.
Por outro lado, as escolas não possuiam os componentes electrónicos necessários para a realização dos tais circuitos previstos no programa, como os alarmes ou termostatos, nem foram previstas verbas para os adquirir, o que inviabilizava logo à partida a componente prática exigida, fundamental para o sucesso da aprendizagem e para o cumprimento das directrizes programáticas.
Em suma, fez-se uma reforma no papel, burocrática, ignorando-se as condições no terreno, como se algo se tornasse real só por estar escrito num decreto.

sábado, 11 de abril de 2009

Dark Energy

Paimogo


Forte de Paimogo, Lourinhã

Magalhães

De nada serve uma caneta se não se souber escrever. O Magalhães seria um medida interessante se fosse um detalhe numa política educativa coerente e com rumo. O que parece ser é uma medida avulsa, mais de show-off propagandístico do que outra coisa. Não nego o mérito de permitir o acesso a ferramentas informáticas a quem que, de outro modo, dificilmente as teria. Mas o que é essencial e parece faltar é o estímulo à inteligência, à criatividade e à vontade de aprender dos nossos alunos, que se consegue com currículos disciplinares motivantes e uma formação de professores (inicial e contínua) à altura e também com uma carreira docente aliciante, medidas enérgicas e eficazes de combate à indisciplina, o aprofundar da autonomia das escolas e a democraticidade na sua gestão, a disponibilidade de recursos didácticos e a formação para os utilizar… E, a esse nível, tudo ou quase tudo está por fazer ou a ser desfeito.

domingo, 29 de março de 2009

Matematico de Origem Russa Ganha Prémio Abel

Russian-born mathematician wins math's version of the Nobel: Scientific American

Geometer Mikhail Gromov has won the 2009 Abel Prize, a sort of math analogue to the Nobel Prizes, the Norwegian Academy of Science and Letters announced yesterday. (The Swedes famously do not administer a Nobel in mathematics, so the Norwegians jumped in with the Abel in 2003.) The Russian-born Gromov, 65, of the Institut des Hautes Études Scientifiques in Bures-sur-Yvette, France, receives six million Norwegian kroner (about $925,000) as part of the prize. Gromov also holds an appointment at New York University.

The mathematician has extended the notion of shape and distance to seemingly foreign and abstract settings; his work has been essential to the progression of branches of geometry known as Riemann geometry and symplectic geometry. Gromov has also helped pioneer geometric group theory, a discipline that relates geometry to the algebraic field of group theory, and has seen his work push along the theoretical evolution of string theory[...]

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Foto de Gromov: Gérard Uferas/The Abel Prize/The Norwegian Academy of Science and Letters

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Diario.info - O Movimento Comunista no Séc. XX

Doménico Losurdo* 27.02.09

"Como resumir o balanço histórico do movimento comunista no século que passou? Hoje em dia, o discurso acerca da sua “falência” é tão pouco discutido que não chega a suscitar objecções, nem mesmo na esquerda. A ideologia e a historiografia actualmente dominantes parecem querer compendiar o balanço de um século dramático numa historieta edificante, que pode resumir-se deste modo: no princípio do século XX, uma rapariga fascinante e virtuosa, a menina Democracia, foi agredida, primeiro por um bruto, o senhor Comunismo, a seguir por outro, o senhor Nazi-Fascismo; aproveitando as contradições entre eles e através de peripécias complexas, a jovem consegue por fim libertar-se da terrível ameaça; tornando-se entretanto mais madura mas sem nada perder do seu fascínio, a menina Democracia consegue coroar o seu sonho de amor pelo casamento com o senhor Capitalismo; rodeado pelo respeito e a admiração gerais, o feliz e inseparável casal gosta de levar a vida principalmente entre Washington e Nova Iorque, entre a Casa Branca e Wall Street. Assim sendo, não há mais lugar a dúvidas: é evidente e inglória a falência do comunismo

Os comunistas e a luta contra a discriminação racial.

Acontece porém que esta historieta edificante nada tem a ver com a história real. A democracia contemporânea baseia-se no princípio segundo o qual cada indivíduo deve ser considerado titular de direitos inalienáveis, independentemente da raça, do nível de rendimentos e do género, e pressupõe portanto a superação das três grandes discriminações (racial, censitária e sexual) que subsistiam ainda nas vésperas de Outubro de 1917[...]"

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* Filósofo e historiador, Professor da Universidade de Urbino, Itália

Obrigado ao António Chaves Ferrão

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

TO THE ROSE UPON THE ROOD OF TIME

RED Rose, proud Rose, sad Rose of all my days!
Come near me, while I sing the ancient ways:
Cuchulain battling with the bitter tide;
The Druid, grey, wood-nurtured, quiet eyed,
Who cast round Fergus dreams, and ruin untold;
And thine own sadness, whereof stars, grown old
In dancing silver-sandalled on the sea,
Sing in their high and lonely melody.
Come near, that no more blinded by man's fate,
I find under the boughs of love and hate,
In all poor foolish things that live a day,
Eternal beauty wandering on her way.

Come near, come near, come near -- Ah, leave me still
A little space for the rose-breath to fill!
Lest I no more hear common things that crave;
The weak worm hiding down in its small cave,
The field-mouse running by me in the grass,
And heavy mortal hopes that toil and pass;
But seek alone to hear the strange things said
By God to the bright hearts of those long dead,
And learn to chaunt a tongue men do not know
Come near; I would, before my time to go,
Sing of old Eire and the ancient ways:
Red Rose, proud Rose, sad Rose of all my days.

W. B. Yeats (1865-1939)

Tirado daqui

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A living fossil found in Namibia: Scientific American


A living fossil found in Namibia: Scientific American

"Researchers have discovered two living species—so recently that they have yet to be named—of this Alavesia fly, a genus that had previously only been seen preserved in Cretaceous-era amber in Spain and Burma. The flies, captured in dry streambeds along Namibia's highest mountain, the Brandberg Massif, have wings only about 0.08 inch (two millimeter) long. The discovery came out of a 2002 bug inventory on the plateau-like mountain (which predates the separation of the southernmost four continents) that also yielded a new suborder of carnivorous insects known as Mantophasmatodea. The new species of this ancient "dance fly" genus were only recognized by researchers Bradley Sinclair, an entomologist at the Canadian Food Inspection Agency, and Ashley Kirk-Spriggs, who leads the Entomology department at the South Africa National Museum, in 2007."


Henri Goulet/Canadian National Collection of Insects, Ottawa

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Valência

Num café em Valência, Espanha

DREN desmente "obrigação" dos professores em participarem no desfile de Carnaval

Notícia do "Púbico":

"A directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, garantiu ontem à Lusa que nenhum professor de Paredes de Coura foi obrigado a participar no desfile de Carnaval. Sublinhou, no entanto, "que o cortejo teria forçosamente que sair à rua".
"A DREN [Direcção Regional de Educação do Norte] nunca mandou alterar uma decisão do Conselho Pedagógico do agrupamento. Apenas determinou que o cortejo teria que ser feito, fosse com os professores, fosse com os pais, fosse com a comunidade, fosse com a própria DREN", frisou Margarida Moreira[...]"

Bom jogo de palavras, para fugir ao essencial, que foi a intimação dos professores para que o desfile se realizasse, fazendo tábua rasa de uma decisão da escola. Porque não tomou, então, a DREN a iniciativa de organizar o desfile?
Do meu ponto de vista, configura uma certa falta de honestidade intelectual, de quem quer dourar a pílula, ou virar o bico ao prego.

Comentário em "Ferrao.org"

Aqui fica um comentário que deixei no blogue "Ferrao.org".

"É verdade que o sistema soviético ruiu. No entanto, serviu durante muitos anos de contrapeso ao capitalismo selvagem. Não nos esqueçamos que muitos dos direitos que hoje temos na Europa ocidental, a que alguns hipocritamente chamam privilégios, se devem aos ideais socialista e comunista, materializados através das lutas sindicais e de massas. As ferias pagas, o 13º mês, o fim de semana, o acesso universal à educação e à saúde, só para dar alguns exemplos, não foram dados de mão beijada pelo sistema capitalista, desde o séc XIX até hoje.
O que falta descobrir é um sistema económico e social sem os caracteres economicamente opressivo do sistema capitalista e individualmente opressivo do sistema soviético.
Quanto a Cuba, comparada com outros países da América Central e do Sul, atingiu grandes vitórias. Dir-se-á, a um preço demasiado alto na limitação da liberdade individual... Mas será uma longa discussão sobre o que é e o que condiciona a liberdade individual. Nesse sentido, também os EUA têm a sua quota parte de limitação da liberdade individual."

Solidariedade com Paredes de Coura

IOL Diário (Foto de Arménio Belo/Lusa)

Tirado daqui

Comentário meu de 18 de Fevereiro neste "post" do blogue "Fliscorno":

"Os professores devem, antes de mais, dar aulas. Esta verdade de La Palice anda muito esquecida no nosso ensino. É preciso conhecer a realidade das escolas para perceber como os docentes se desdobram em preparação de aulas, correcção de testes, apoios curriculares e extra curriculares, reuniões de avaliação, reuniões intercalares, encontros com os encarregados de educação, visitas de estudo, apoio à biblioteca, apoio à ludoteca, aulas de substituição, reuniões do conselho pedagógico, reuniões do conselho de directores de turma, reuniões de departamento... para além de, entretanto, darem aulas.
Como se não bastasse, têm agora o monstro burocrático da avaliação.
Compreendo perfeitamente esta tomada de posição e gostava, sinceramente, que não cumprissem a ordem prepotente (com que direito?) da DREN de obrigar à realização do desfile, como foi noticiado hoje na TV."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras

Notícia do "Público"

O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras foi entrevistado ontem no "Jornal das Nove". De acordo com Carlos Miguel, a acção do Ministério Público foi desencadeada por uma denúncia e a própria procuradora ficou embaraçada quando lhe foi mostrada a "prova do crime".
O que é estranho é como se dá por adquirida uma denúncia sem se procurar confirmar ou desmentir a mesma. Não me espantava que o autor da queixa se tivesse movido por razões políticas, talvez incomodado com a sátira, mas é confrangedor que o Ministério Público mostre tamanha ingenuidade, deixando-se manipular. Parece que vivemos num país de faz-de-conta, com aprendizes de feiticeiro por todo o lado.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Gondolieri

Veneza

"A Escola tem futuro?" - João Ruivo

Editorial de Fevereiro da revista "Ensino Magazine".

"[...]É que não há Escola contra a Escola. Não há progresso que se trilhe contra os profissionais da educação. Não há políticas educativas sérias a gosto de birras e conjunturas que alimentam os egos pessoais de alguns governantes. Não há medidas que tenham futuro se não galvanizarem na sua aplicação os principais agentes das mudanças educativas: os educadores e os professores[...]"

Texto completo aqui

A pedagogia do fracasso

Texto muito interessante do "Times Online" sobre a realidade Britânica, mas que poderá ter afinidades com o que se passa em Portugal. Tomei conhecimento deste artigo através do blogue "A Educação do Meu Umbigo".

"There is a conspiracy to deny children the vital lesson of failure"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

AC

Hotel Roma, Lisboa

"Avaliar Professores é Fácil?" - João Ruivo

Editorial da edição de Dezembro de 2008 da revista "online" Ensino Magazine.

"Não! A avaliação de professores não é uma tarefa simples. Que o digam os supervisores que, durante décadas, promoveram a formação inicial e permanente dos nossos docentes. Para avaliar professores requerem-se características pessoais e profissionais especiais, para além de uma formação especializada e de centenas de horas de treino, dedicadas à observação de classes e ao registo e interpretação dos incidentes críticos aí prognosticados.
Cuidado com as ratoeiras! Quem foi preparado para avaliar alunos não está, apenas pelo exercício dessa função, automaticamente preparado para avaliar os seus colegas…
A avaliação de professores é uma tarefa complexa. Desde logo, requer um perfil específico do avaliador. Ou seja, nem todos os professores reúnem as condições para avaliarem. O avaliador terá que ser uma pessoa com conhecimentos especializados, com enorme sensibilidade, com capacidade analítica e de comunicação empática, com experiência de ensino e elevada responsabilidade social. Terá que ser um profissional que sabe prestar atenção, sabe escutar, sabe clarificar, sabe encorajar e ajudar a encontrar soluções, sabe dar opiniões, e que sabe ainda negociar, orientar, estabelecer critérios e assumir todo o risco das consequências da sua acção.
É necessário que domine com rigor as técnicas de registo e de observação de aulas, conheça as metodologias de treino de competências, os procedimentos de planeamento curricular, e as estratégias de promoção da reflexão crítica sobre o trabalho efectuado.
Escolher um avaliador obriga a uma selecção aturada, fundamentada, baseada em critérios de indiscutível mérito e, depois, a uma demorada formação específica e especializada. Para que uma avaliação tenha consequências, o avaliado não pode ter quaisquer dúvidas sobre o mérito do avaliador.
Avaliar é uma tarefa periscópica. O avaliador é chamado a pronunciar-se sobre inúmeros domínios sobre os quais se reflecte o pluridimensional acto de ensinar. Quando avalia, olha o professor sobre variadíssimos ângulos e prismas: aprecia o professor enquanto pessoa, como membro de uma comunidade profissional, como técnico qualificado na arte de ensinar e como especialista das matérias que ensina.
Por outras palavras o avaliador avalia o professor em vertentes tão diferenciadas quanto o são o seu ser, o seu saber e o seu saber fazer. Logo, o avaliador tem que estar atento a um grande número de variáveis que intervêm na função docente: variáveis de produto, de processo, de presságio, de carácter pessoal e profissional…
O avaliador recolhe elementos que permitam avaliar, e depois classificar, o professor enquanto tenta responder às seguintes questões: Onde ensina? O que é que ele ensina? Como é que ensina? O que aprendem os seus alunos? Como se auto avalia? Que capacidade tem para reformular a sua actuação? Com que profundidade domina as matérias que pretende ensinar?
O avaliador não trabalha com o professor apenas na sala de aula. Ele tem que apreender o modo como o professor se envolve com os seus alunos numa situação de classe, mas também como este se implica junto da comunidade escolar e na sociedade que envolve a escola. Porque trabalha com ele como profissional, mas também enquanto pessoa.
Formar um avaliador leva tempo, elevadas doses de paciência, muito treino e conhecimento especializado. A escolha de um avaliador não pode ser casual e, sobretudo, não pode depender de critérios político administrativos.
Porquê? Porque o avaliador tem que saber verificar não só o que os professores fazem, mas também como o fazem e, simultaneamente, garantir a melhoria da qualidade da sua intervenção na sala de aula, bem como a qualidade do produto, isto é, da aprendizagem dos alunos.
Por isso mesmo a avaliação de um professor não pode ser uma actividade episódica, pontual e descontinuada. A avaliação de um professor requer uma actividade continuada, porque importam mais as actividades de reformulação que venham a ser consideradas do que o simples diagnóstico da sua actual situação. A avaliação de um professor é então uma actividade projectada no futuro.
Avaliar um professor é, pois, dizíamos, uma tarefa muito, mesmo muito complexa. Simples, muito simples mesmo, é avaliar um ministro que pensa ser possível reduzir a avaliação dum professor a uma mera empreitada administrativa, compilada em duas páginas de panegíricos ou de recriminações."

João Ruivo

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Comentário em "A educação do Meu Umbigo"

Aqui fica uma versão revista de um comentário que deixei a propósito deste "post" de Paulo Guinote:


"Deixei de dar aulas no ensino básico e secundário em 2004 e não conheço detalhadamente todos os pormenores do actual modelo de avaliação, por isso tenho-me abstido de comentá-los aqui no blogue do Paulo. Mas o que sei da actividade docente e o que vou acompanhando da discussão levam-me a pensar que se está a elaborar num equívoco (propositado ou não, dependendo dos intervenientes) quando se pretende criar um modelo de avaliação formal e sofisticado para o ensino básico e secundário. A ideia de avaliar o mérito dos profissionais prende-se com a gestão por objectivos, com origem no neoliberalismo. Se faz algum sentido económico, embora arrepie pela desumanidade, que se premeie um operário pelo número de sapatos que produz, já me causa alguma perplexidade que se avalie um professor pela maior ou menor interacção com a comunidade educativa ou pela quantidade de materiais didácticos que realiza para o grupo disciplinar. Isto porque a principal função do docente está na sala de aula, o seu objectivo primeiro é ensinar. E, aqui, coloca-se uma questão de objectividade: como criar critérios universais de avaliação que estabeleçam a excelência? Existe um único perfil de professor excelente? Não será a excelência dependente do meio em que se insere o docente, do nível cultural, social e económico dos alunos, das suas regras de conduta e do seu apetite pelo saber, do maior ou menor apoio da comunidade educativa, do ambiente da escola? E não será também função das características subjectivas de cada um? Para já não falar no facto absurdo de se procurar saber da excelência com 2 ou 3 aulas assistidas…
Quanto a avaliar o docente pelos resultados dos alunos, que seria o mais próximo da gestão por objectivos, acho que estamos todos de acordo que é algo totalmente descabido, que iria gerar enormes injustiças por, obviamente, não existir um meio escolar homogéneo por todo o país, e também por tornar os professores reféns dos alunos, tendo até o próprio ME abdicado de tamanho disparate.
Os professores do ensino superior possuem um método objectivo de avaliação que, embora possa causar efeitos perversos, baseia-se em critérios universais. Mas incide predominantemente no trabalho de investigação, não na actividade docente.
É por isso que, até que alguém consiga mostrar-me o contrário, não acredito que exista um método formal e sofisticado de avaliação para o ensino básico e secundário, que seja sério, justo e credível, para além do que possa estar associado à avaliação dos conhecimentos científicos e que terá o seu momento próprio na formação, seja a inicial, seja a contínua."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sozinho


Nazaré, em Dezembro

Software Livre para Windows

Os utilizadores de Linux estão habituados a ter acesso a uma panóplia de software sem qualquer custo, para além, obviamente, do associado à aquisição do computador. Além disso, quase todos os programas de Linux são de código aberto ("open source") o que significa que qualquer utilizador que perceba de programação pode ter acesso ao código-fonte em questão e modificá-lo, seja para corrigir "bugs", seja para adicionar funcionalidades. Claro que, por razões evidentes, o mesmo não se passa na maioria dos casos em ambiente Windows, já que os programas são pagos. No entanto, há honrosas excepções. Desde já, o projecto OpenDisc oferece software de código aberto, com programas como o "Gimp", para desenho e processamento de fotos, o "FileZilla", um óptimo cliente ftp ou o "Azureus", um cliente BitTorrent. O famoso "Firefox" também lá está, assim como o "Celestia", um simulador astronómico, o "7-Zip", um excelente compressor e descompressor de ficheiros, o "Audacity", um editor áudio, entre outros.
Para quem procura um substituto sem custo ao "Office" da Microsoft tem o não menos famoso "OpenOffice" com uma versão em português que inclui dicionário. Para os que se querem iniciar na programação ou para os já iniciados há uma série de compiladores grátis sob o nome de "gcc", que é a suite de compiladores padrão em Linux. Existem pelo menos dois métodos de instalar o "gcc" em Windows: através do "MinGW", ou através do "Cygwin". Este último é uma versão de Unix que corre em Windows, que permite tirar partido de muitas das potencialidades desse Sistema Operativo, para quem não quer ou não pode prescindir do da Microsoft. No entanto, há que dizer que o "gcc" não possui interface gráfica, o que significa que todas as instruções devem ser dadas numa janela de comandos. Porém, o programa "DevCpp" permite fazer a ponte entre o "gcc" e o ambiente de janelas típico do Windows.
A lista já vai um pouco longa, mas está deveras incompleta. Menciono apenas mais um programa, o "pdfcreator", que permite converter para formato pdf inúmeros tipos de ficheiros.
Vou juntar estes links numa lista, que irá sendo actualizada...