quarta-feira, 22 de julho de 2009

A manutenção do poder

Já muitos têm referirdo a promiscuidade entre o poder político e económico, que faz com que não exista uma verdadeira concorrência entre empresas, que protege os grandes grupos económicos e financeiros e que permite a manutenção no poder do “centrão”.
Como quebrar este ciclo… É algo que não se adivinha fácil nem para breve, com as personagens políticas que temos nos partidos do poder e a dificuldade aparente das alternativas em o exercerem. Só uma maior cultura em geral, e democrática em particular, do povo português se poderia traduzir num maior espírito crítico e numa maior exigência face aos políticos que nos governam. Mas isso é uma tarefa de gerações, dado o ponto de partida e não parece que o poder político actual esteja empenhado nessa mudança.
De facto, acho mesmo que as políticas educativas que têm sido implementadas nestes últimos anos não têm o sentido de melhorar genericamente o nível cultural do nosso povo, mas seguem uma lógica de manutenção de poder, diminuindo a intervenção democrática dos actores educativos e alimentando o compadrio e o seguidismo. Perante a capa da meritocracia, incentivam a competição e o individualismo onde antes existia colaboração e solidariedade (como sublinhou Lídia Jorge), com as inevitáveis consequências no avanço da mediocridade. Promovem os aspectos formais e burocráticos em vez de premearem a autenticidade, com a subsequente teia de cumplicidades. Seguem uma lógica de resultados aparentes, sem ter em conta ao que correspondem na substância, criando a ilusão de progressos mas sem que mude, de facto, o status quo.
Tudo isto ocorre com o beneplácito de alguma comunicação social, ela própria sob a alçada do poder económico, quiçá com interesses inconfessáveis.
Mas a realidade, por vezes, surpreende-nos e não é de descartar a possibilidade de, perante este panorama fatalista e aparentemente irreversível, existir uma solução ao virar da esquina. Talvez essa esquina seja 27 de Setembro próximo.

2 comentários:

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Não sou adepto das teorias da conspiração e não penso que a estupidificação geral da sociedade obedeça a um plano centralizado e coerente. Pode haver um elemento de planificação neste processo, mas também há um elemento de convicção. Os autores das políticas educativas no chamado Ocidente acreditam, pelo menos em parte, nas doutrinas que propalam.

Daqui resulta que também não acredito que a patologia política que tão bem descreve, e que se manifesta na ditadura exercida pelo centrão dos interesses, se resolva apenas pela elevação do nível cultural das populações. é preciso que se espalhe pelo mundo algo de semelhante à Revolução Francesa: assim como nesta a classe média letrada forçou a separação entre igreja e estado, terá o mesmo grupo social que forçar a separação entre o poder político e o poder económico.
Há duzentos anos estiveram na linha da frente os juristas; hoje têm que estar os professores.

P.S.: Não conhecia o seu blogue. gostei e vou adicioná-lo à minha lista de hiperligações.

João disse...

José Luiz Sarmento, obrigado pela visita e pelo contributo. Visito o seu blogue já há algum tempo e fico contente que tenha passado por aqui.
Quanto à teoria da conspiração, eu chamar-lhe-ia antes conjugação de interesses, implícitos e explícitos.
Quanto ao resto, concordo no geral com o que diz.